Não sei bem por quê, mas acho que é coisa de família: minha fala é categórica e superlativa. E isso é muito, muito irônico, porque no âmago do imo eu não acredito em verdades e estou no pólo oposto da efusão. Fato é que sempre ouvi as palavras
radical,
rígida e
inflexível dirigidas a mim, quando é muito, putz, o contrário. Posso ter tido uma fase assim na típica arrogância despistada da adolescência, mas eu não sou assim. Entretanto, minha escolha de palavras e meu jeito de me expressar - talvez aliados a meu baixo ponto de frustração - continuam passando essa impressão. Durante a vida, já ouvi muitas vezes
'tenho medo de você' ou
'fulano tem medo de você'. É triste, vou te contar, continuar ouvindo isso até hoje, hoje que sou uma massa podre farelenta relativista dos infernos.
Minha própria cara-metade ainda não se acostumou com meu jeito de falar. Quando me conheceu, por escrito, ele me imaginou uma 'punk raivosa'. Me viu, não era nada disso. Nove anos juntos, cada vez menos. Mesmo assim, ele às vezes me olha cabreiro e enxerga um coturno na minha alma. E é claro que me brotam as lágrimas, porque se coturno houvesse, eu estaria bem melhor, aposto.
Qual a razão deste post? Nenhuma. I'm just fucking tired. Cansada principalmente de mim e da merda que eu fiz da minha vida. Desculpaê quem leu.